13 de março de 2011

Pinheiro Negro - o clássico da Arte Bonsai

Se é clássico, já vimos que também é complexo. E por ser meu, um iniciante, é mais ainda.
Por ter passado um mês afastado dos cuidados diários que dedico às minhas plantas, devido ao meu curso de paisagismo em São Paulo, esse pinheiro negro secou em um galho e na extremidade de outro pela posicionamento errado no recebimento de sol, além de ter crescido descontroladamente no ápice, fazendo suas agulhas chegarem a quase 10cm.
Para piorar a situação, devido as fortes chuvas e ventos, ele caiu do 2º andar fazendo com que seu vaso espatifasse. Para minha sorte, a árvore e o torrão não sofreram nada, mas até que eu voltasse de São Paulo ele ficou em uma caixinha de areia apenas no torrão, e devido às chuvas, essa caixa enchia d'água todo dia. Este é um vencedor, não sofreu na queda, não morreu afogado e nem pela escassez de sol em seus galhos inferiores.

Quando eu cheguei e vi o estado do melhor da minha coleção, os olhos se encheram de lágrimas...
Mas mãos à obra e vamos recuperar o tempo perdido!

















As fotos não ajudam muito, mas dá para perceber a gravidade da situação.
Para improvisar nesse vaso preto de plástico, adaptei um fundo falso com prato furado para que o torrão não fosse alterado, e assim, encaixou certinho.
Até chegarmos ao início da primavera ele ficará assim, sendo monitorado, e exposto ao sol desde os tenros raios ao pleno, até que esteja forte o suficiente para ser transplantado em um vaso fosco retangular marrom de Shugo Izumi que trouxe de São Paulo pra ele.

Após a limpeza das agulhas velhas e secas e a pinçagem das muito grandes que levou pouco mais de 4 horas, tive que pensar em uma nova frente para o pinheiro, que a meu ver, ficou até melhor e mais adequado.






Depois de cuidar dele, mudei também o local das fotos, deu uma melhorada na qualidade...
Bom, agora é só deixar o tempo passar...
Até mais!
Abraços.

Atualização Ácer Palmatum

Depois de bastante tempo sumido devido a inúmeras tarefas, finalmente consegui vir aqui no blog atualizar o meu diário de bonsai. Para esse post de ‘retorno’ escolhi o meu Acer palmatum...



Esse aí que vocês lembram estar cheio de problemas, sem conicidade sem ramificação e com galhos saindo de um mesmo ponto nas extremidades, além de estar amarrado em um vaso quebrado.

Para mexer com essa planta esperei que ela realizasse seu ciclo anual de vida. Contudo percebi que ela não estava completamente saudável, então comecei um trabalho de adubação de macro e micronutrientes para que a planta recuperasse o seu viço. Quando a comprei grande parte das folhas apresentavam deformidade, além de não terem conseguido assumir a coloração outonal avermelhada típica da espécie. Após o verão, outono e inverno comigo, além de cuidados sistêmicos a planta apresentou forte e saudável brotação nessa primavera, o que me fez perceber que havia chegado a hora de uma bela intervenção. Sei que diversos bonsaístas discordarão do período em que mexi com o Acer, mas aprendi com o meu mestre Namizo que a planta mostra quando irá suportar intervenções mais sérias.

Como a planta iria precisar de suas raízes para se desenvolver após as podas drásticas, primeiro resolvi podar, para depois transplantá-la. E após a poda ela brotou intensamente e livremente.




Após crescimento desordenado e intenso achei apropriado fazer a troca do vaso devido às péssimas condições do mesmo. Terra mesmo quase não tinha, já havia sido substituída por um emaranhado de raízes finas onde nenhum nebari poderia ser destacado.


O único ponto positivo foi a disposição extremamente horizontalizada das raízes, o que vai facilitar bastante a formação de um nebari bem radial com as raízes finas que deixarei a engrossar em cada transplante.


Bom, perdoem-me a falta das fotos com a intervenção terminada, pois, as perdi. No próximo post trago foto da planta atualizada!!

Comentem, critiquem e sugiram!!
Abraços

20 de janeiro de 2011

Novidades no ar!!!

Olá pessoas, depois de muito tempo sumido venho aqui para dizer que muitas novidades estão por vir...
Estive esse tempo todo afastado para planejar esse novo conceito verde que está nascendo...
Estou em são Paulo estudando paisagismo e em breve um portal verde com muito mais conteúdo verde irá surgir...
Aguardem um turbilhão de novidades!!!
E como sempre, o Bonsai terá lugar de destaque!!
Até +

29 de junho de 2010

Inverno...

As mudanças que as quatro estações trazem são de extrema importância no cultivo de bonsai...
São através delas que pautamos todas as intervenções que pretendemos realizar em cada planta ao longo do ano...
As estações regem o crescimento de cada planta. E nas árvores caducas como o famoso ácer, é que vemos a dramaticidade dessas mudanças...
Na primavera tudo é vigoroso, no verão tudo é intenso, no outono as coisas se acalmam, e a brisa que traz o inverno começa a soprar levando as rubras folhas...
O inverno chega, deixa desnuda as árvores e o cinza toma conta da paisagem... Um ar de melancolia paira...

E conosco, humanos, as coisas acontecem da mesma forma...
Crescemos, desenvolvemos, vivemos e partimos... Às vezes, nem sempre nessa ordem...
Nesse inverno uma folhinha tenra da minha árvore se foi... o vento da vida a levou para os céus... para junto de Deus...
Aqui fica esse texto em homenagem à minha querida priminha Juliana Vitória que despertou tão bela para a vida, mas que cedo, porém sabiamente Deus recolheu de nossos galhos e levou para seus braços...
Saudades desde já desse broto que não receberá os nossos cuidados...

Mas a vida continua e em breve a primavera chega com mais vida e novidades, e para mim já chegou!!!
Estou indo de férias para São Paulo estudar e conhecer diversos novos bonsai, principalmente visitar o horto do mestre Osamu Hidaka em Atibaia e trazer de lá novas plantas e com certeza, muito conhecimento!!

Toda novidade trarei aqui para o blog!
Aguardem e confiram!
Forte Abraço

9 de junho de 2010

Bougainvillea - Um presente do Mestre

Sabe aqueles dias em que você quer um bonsai, um material diferente de tudo que você tem ou já fez?!?!
Fiquei assim, pois em cada blog que eu entro, sempre vejo uma planta bruta, com excelente potencial, só que sempre no quintal dos outros, e nunca no meu...
Mas chegou a minha vez!!!
Estava eu a andar pelo horto do seu namizo, como de costume à procura de novos possíveis bonsai quando me deparei com uma area reservada para bougainvillea bem velhos em latas e muitos deteriorados...
Fui olhando um a um até que cheguei no último da fila, entremeado de galhos mas com brotação baixa e os entrenós relativamente curtos, realmente era galho para todos os lados, um sobrevivente do tempo.
Assim sendo, cheguei ao seu Namizo e perguntei quanto custava, foi quando ele sondou o meu desejo com aquela árvore... Respondi que eu tinha captado toda a essência de sobrevivência dela, e que sua madeira morta daria em um excelente tronco, e que ganharíamos muita conicidade se devidamente trabalhada e coisas do tipo...
Ele olhou para mim, deu um sorriso enigmático de canto de boca e disse: _" É sua, eu te dou ela."
Nossa, vibrei de alegria, pela planta e pelo gesto do seu Namizo, acho que estou no caminho certo da filosofia bonsai...
Bom vamos às fotos e aos procedimentos.
Infelizmente, no dia em que a ganhei estava sem câmera e não há registros do embolorado de galhos que ela era, deveria estar com uns 1m30 a 2m. E todos os galhos saiam de um mesmo ponto, o lado esquerdo da planta já que o lado direito sucumbiu. Pelo grande uro na parte frontal, podemos perceber que se tratava de uma planta bem grande e também com uma idade já avançada. No momento da alegria com o presente, esqueci de perguntar a idade ao seu namizo e a origem desse exemplar, mas em sua atualização, acrescentarei essas informações.
Para ficar mais fácil de levar para casa, imediatamente fizemos uma limpeza de galhos e pusemos nesse pote de treinamento... Ficando a parte mais complicada de estruturação e escolha de galhos para ser feita por mim em casa e sozinho... Mas acho que fui relativamente bem!


Para educar os galhos mais duros, fiz uma tração com fios, já que ainda não tenho firmeza na aramação de plantas. Após a estruturação ela ficou assim:



No próximo ano, dependendo do desenvolvimento da planta, pretendo já colocá-la com sua nova posição em um vaso definitivo redondo e bem claro, tipo marfim para contrastar com a madeira morta que ainda vou trabalhar e suas flores de um rosa muito vibrante. No mais é ir trabalhando sua ramificação e profundidade em mais alguns aninhos de trabalho

Espero que tenham gostado, sugiram, critiquem e comentem

Forte abraço!

26 de maio de 2010

Gabiroba – Nativa do cerrado que vem perfumar minha coleção

Essa planta é muito interessante. No dia em que a adquiri, não foi em uma das melhores circunstâncias, foi na volta de um velório, mas enfim, algo tinha que agradar aquela tarde...
Bom, o fato é que no horto onde a comprei fiquei em dúvida entre duas cerejas anãs bem vigorosas e formando ambas um sombreiro bacana com seus troncos em torno de 5 a 7 cm. Havia outra planta cujo nome nem o funcionário do horto soube me dizer, mas se tratava de algo medicinal com raízes expostas lindíssimas, mas que fiquei receoso por não saber de qual planta se tratava, suas propriedades e que cuidados eu deveria tomar. Contudo quando desisti das cerejas devido ao valor fora da realidade da planta, vi essa árvore exótica no canto e fui me informar sobre ela. O funcionário do horto, um senhor nordestino muito simpático, me disse se tratar de uma gabiroba, uma árvore muito perfumada e que na terra dele tinha aos montes. Oriunda de uma área exótica, o cerrado brasileiro, a gabiroba possui folhas de um verde claro brilhante, flores pequenas e delicadas em tons do branco ao marfim e alto verão fica carregada de uma frutinha amarela e doce, mas que possui um azedinho muito apreciado na elaboração de licores artesanais, além de ser rica em vitamina C.
A gabiroba é da mesma família das jabuticabas e goiabas, possui propriedades medicinais (confira mais dados em http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/gabiroba/gabiroba.php) e apresenta grande grau de rusticidade, seu tronco possui uma casca embora sensível, que confere aspecto de idade avançada à árvore, é também muito resistente e tolera períodos de seca sem sérias conseqüências, essa é aquela espécie que um desatento à assiduidade das regas pode ter numa boa.
Voltando ao tópico bonsai, essa árvore apresenta alguns problemas, mas pelo que pensei para seu futuro, ela possui casca e movimento de tronco muito bacana para o estilo do desenho a cima.
De início percebi que embora seja uma planta resistente, sua madeira é sensível e se parte com certa facilidade, pelo menos as mais novas. Assim sendo, resolvi fazer um jin nela para envelhecer a planta, já que seu tronco ainda é um pouco fino e torná-la mais condizente com a região de onde vem, em que as árvores são reduzidas e possuem galhos secos naturalmente. Para efetuar esse jin, como ainda sou um iniciante e não possuo ferramentas mais próprias utilizei-me de um bisturi para fazê-lo, foi um trabalho demorado e meticuloso, além de dolorido devido ao pequeno corte que causei ao meu polegar, mas no final foi extremamente gratificante e me trouxe muito prazer e felicidade. Ainda pretendo dar mais uma refinada nele, uma lixada e estará pronto.
O próximo passo que pretendo é o reenvase, o vaso em que ela está além de muito deteriorado, possui o substrato todo cavado e com certeza já não há nenhum nutriente naquela terra. Assim que o fizer trago a atualização aqui para o meu diário de bonsai, e vamos às fotos!!
Espero que apreciem e estejam livres para comentar, criticar e sugerir!!!

Ah, e por favor não reparem no desenho, foi o primeiro que fiz, minha estréia no desenho também!! rsrs






Tamanho do bisturi que utilizei no Jin


11 de maio de 2010

O patinho feio que se transforma em cisne

Nesse post vamos ver a minha caliandra vermelha. Caliandra, ou esponjinha é uma planta super recomendada para iniciantes como eu, pois tem um excelente crescimento é super resistente e exige poucos cuidados, exceto sol e rega, uma premissa quando desejamos nos enveredar pelo mundo bonsai. Ela ainda nos presenteia com flores quase o ano todo.
Essa minha caliandra tem uma história semelhante a do patinho feio. Eu a adquiri no horto do seu Namizo, e tanto ele, quanto sua esposa, não deram muita importância para a muda, e não acretitaram que aquele “toco” fosse um dia ser um bonsai. No Horto Florestal Conquista há bonsai centenários que passaram de geração em geração, e uma mudinha de um centímetro de espessura não faz muito a cabeça de ninguém. Contudo nós que começamos na arte queremos transformar tudo em bonsai, pelo prazer de dizer: _” Eu a conduzi, a desenvolvi.”
E nesse embalo, peguei o patinho feio por apenas R$ 2,00, comprei um vaso de R$ 8,00, fiz um substrato bem forte e eis que um ano depois ela dobrou de tamanho. A brotação dela é tão intensa que começa da base do tronco até o ápice. Está repleta de brotação lateral, e para minha sorte todas intercaladas já de acordo com a estética bonsai.
Quando a comprei, acreditei no que ela poderia se transformar, e hoje vejo que essa possibilidade já começa a se esboçar. Por ser ainda muito nova ela não apresenta conicidade, isso vou ter que trabalhar ao longo do tempo, mas mesmo assim estou super feliz com ela e como esta se mostra forte e vigorosa.
Pretendo mexer nela assim que as flores sumirem, pois só nessa manhã, abriram quatro flores, e ainda tem mais um monte por vir.
Essa planta nos trouxe uma reflexão bem oportuna, nada está 100% perdido, ou sem chance de se realizar. Tudo pode acontecer, basta acreditar!! Também existe beleza na simplicidade!!
O universo bonsai é sábio e uma bela terapia!!
Seguem as fotos:


Em primeiro plano a flor prestes a abrir seguida de suas delicadas folhas
A mesma flor em uma vista mais abrangente
Uma de suas flores abertas em um vermelho vivo como que surgida de uma explosão

Ramo com quatro flores como se fossem pompons, daí comumente chamada de esponjinha


Em outro ângulo, o toque dessas flores é tão suave que o algodão e a seda perto delas se trona áspero



Vista frontal da planta. Ainda há muito o que se trabalhar, uma boa poda as aguarda