20 de janeiro de 2011

Novidades no ar!!!

Olá pessoas, depois de muito tempo sumido venho aqui para dizer que muitas novidades estão por vir...
Estive esse tempo todo afastado para planejar esse novo conceito verde que está nascendo...
Estou em são Paulo estudando paisagismo e em breve um portal verde com muito mais conteúdo verde irá surgir...
Aguardem um turbilhão de novidades!!!
E como sempre, o Bonsai terá lugar de destaque!!
Até +

29 de junho de 2010

Inverno...

As mudanças que as quatro estações trazem são de extrema importância no cultivo de bonsai...
São através delas que pautamos todas as intervenções que pretendemos realizar em cada planta ao longo do ano...
As estações regem o crescimento de cada planta. E nas árvores caducas como o famoso ácer, é que vemos a dramaticidade dessas mudanças...
Na primavera tudo é vigoroso, no verão tudo é intenso, no outono as coisas se acalmam, e a brisa que traz o inverno começa a soprar levando as rubras folhas...
O inverno chega, deixa desnuda as árvores e o cinza toma conta da paisagem... Um ar de melancolia paira...

E conosco, humanos, as coisas acontecem da mesma forma...
Crescemos, desenvolvemos, vivemos e partimos... Às vezes, nem sempre nessa ordem...
Nesse inverno uma folhinha tenra da minha árvore se foi... o vento da vida a levou para os céus... para junto de Deus...
Aqui fica esse texto em homenagem à minha querida priminha Juliana Vitória que despertou tão bela para a vida, mas que cedo, porém sabiamente Deus recolheu de nossos galhos e levou para seus braços...
Saudades desde já desse broto que não receberá os nossos cuidados...

Mas a vida continua e em breve a primavera chega com mais vida e novidades, e para mim já chegou!!!
Estou indo de férias para São Paulo estudar e conhecer diversos novos bonsai, principalmente visitar o horto do mestre Osamu Hidaka em Atibaia e trazer de lá novas plantas e com certeza, muito conhecimento!!

Toda novidade trarei aqui para o blog!
Aguardem e confiram!
Forte Abraço

9 de junho de 2010

Bougainvillea - Um presente do Mestre

Sabe aqueles dias em que você quer um bonsai, um material diferente de tudo que você tem ou já fez?!?!
Fiquei assim, pois em cada blog que eu entro, sempre vejo uma planta bruta, com excelente potencial, só que sempre no quintal dos outros, e nunca no meu...
Mas chegou a minha vez!!!
Estava eu a andar pelo horto do seu namizo, como de costume à procura de novos possíveis bonsai quando me deparei com uma area reservada para bougainvillea bem velhos em latas e muitos deteriorados...
Fui olhando um a um até que cheguei no último da fila, entremeado de galhos mas com brotação baixa e os entrenós relativamente curtos, realmente era galho para todos os lados, um sobrevivente do tempo.
Assim sendo, cheguei ao seu Namizo e perguntei quanto custava, foi quando ele sondou o meu desejo com aquela árvore... Respondi que eu tinha captado toda a essência de sobrevivência dela, e que sua madeira morta daria em um excelente tronco, e que ganharíamos muita conicidade se devidamente trabalhada e coisas do tipo...
Ele olhou para mim, deu um sorriso enigmático de canto de boca e disse: _" É sua, eu te dou ela."
Nossa, vibrei de alegria, pela planta e pelo gesto do seu Namizo, acho que estou no caminho certo da filosofia bonsai...
Bom vamos às fotos e aos procedimentos.
Infelizmente, no dia em que a ganhei estava sem câmera e não há registros do embolorado de galhos que ela era, deveria estar com uns 1m30 a 2m. E todos os galhos saiam de um mesmo ponto, o lado esquerdo da planta já que o lado direito sucumbiu. Pelo grande uro na parte frontal, podemos perceber que se tratava de uma planta bem grande e também com uma idade já avançada. No momento da alegria com o presente, esqueci de perguntar a idade ao seu namizo e a origem desse exemplar, mas em sua atualização, acrescentarei essas informações.
Para ficar mais fácil de levar para casa, imediatamente fizemos uma limpeza de galhos e pusemos nesse pote de treinamento... Ficando a parte mais complicada de estruturação e escolha de galhos para ser feita por mim em casa e sozinho... Mas acho que fui relativamente bem!


Para educar os galhos mais duros, fiz uma tração com fios, já que ainda não tenho firmeza na aramação de plantas. Após a estruturação ela ficou assim:



No próximo ano, dependendo do desenvolvimento da planta, pretendo já colocá-la com sua nova posição em um vaso definitivo redondo e bem claro, tipo marfim para contrastar com a madeira morta que ainda vou trabalhar e suas flores de um rosa muito vibrante. No mais é ir trabalhando sua ramificação e profundidade em mais alguns aninhos de trabalho

Espero que tenham gostado, sugiram, critiquem e comentem

Forte abraço!

26 de maio de 2010

Gabiroba – Nativa do cerrado que vem perfumar minha coleção

Essa planta é muito interessante. No dia em que a adquiri, não foi em uma das melhores circunstâncias, foi na volta de um velório, mas enfim, algo tinha que agradar aquela tarde...
Bom, o fato é que no horto onde a comprei fiquei em dúvida entre duas cerejas anãs bem vigorosas e formando ambas um sombreiro bacana com seus troncos em torno de 5 a 7 cm. Havia outra planta cujo nome nem o funcionário do horto soube me dizer, mas se tratava de algo medicinal com raízes expostas lindíssimas, mas que fiquei receoso por não saber de qual planta se tratava, suas propriedades e que cuidados eu deveria tomar. Contudo quando desisti das cerejas devido ao valor fora da realidade da planta, vi essa árvore exótica no canto e fui me informar sobre ela. O funcionário do horto, um senhor nordestino muito simpático, me disse se tratar de uma gabiroba, uma árvore muito perfumada e que na terra dele tinha aos montes. Oriunda de uma área exótica, o cerrado brasileiro, a gabiroba possui folhas de um verde claro brilhante, flores pequenas e delicadas em tons do branco ao marfim e alto verão fica carregada de uma frutinha amarela e doce, mas que possui um azedinho muito apreciado na elaboração de licores artesanais, além de ser rica em vitamina C.
A gabiroba é da mesma família das jabuticabas e goiabas, possui propriedades medicinais (confira mais dados em http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/gabiroba/gabiroba.php) e apresenta grande grau de rusticidade, seu tronco possui uma casca embora sensível, que confere aspecto de idade avançada à árvore, é também muito resistente e tolera períodos de seca sem sérias conseqüências, essa é aquela espécie que um desatento à assiduidade das regas pode ter numa boa.
Voltando ao tópico bonsai, essa árvore apresenta alguns problemas, mas pelo que pensei para seu futuro, ela possui casca e movimento de tronco muito bacana para o estilo do desenho a cima.
De início percebi que embora seja uma planta resistente, sua madeira é sensível e se parte com certa facilidade, pelo menos as mais novas. Assim sendo, resolvi fazer um jin nela para envelhecer a planta, já que seu tronco ainda é um pouco fino e torná-la mais condizente com a região de onde vem, em que as árvores são reduzidas e possuem galhos secos naturalmente. Para efetuar esse jin, como ainda sou um iniciante e não possuo ferramentas mais próprias utilizei-me de um bisturi para fazê-lo, foi um trabalho demorado e meticuloso, além de dolorido devido ao pequeno corte que causei ao meu polegar, mas no final foi extremamente gratificante e me trouxe muito prazer e felicidade. Ainda pretendo dar mais uma refinada nele, uma lixada e estará pronto.
O próximo passo que pretendo é o reenvase, o vaso em que ela está além de muito deteriorado, possui o substrato todo cavado e com certeza já não há nenhum nutriente naquela terra. Assim que o fizer trago a atualização aqui para o meu diário de bonsai, e vamos às fotos!!
Espero que apreciem e estejam livres para comentar, criticar e sugerir!!!

Ah, e por favor não reparem no desenho, foi o primeiro que fiz, minha estréia no desenho também!! rsrs






Tamanho do bisturi que utilizei no Jin


11 de maio de 2010

O patinho feio que se transforma em cisne

Nesse post vamos ver a minha caliandra vermelha. Caliandra, ou esponjinha é uma planta super recomendada para iniciantes como eu, pois tem um excelente crescimento é super resistente e exige poucos cuidados, exceto sol e rega, uma premissa quando desejamos nos enveredar pelo mundo bonsai. Ela ainda nos presenteia com flores quase o ano todo.
Essa minha caliandra tem uma história semelhante a do patinho feio. Eu a adquiri no horto do seu Namizo, e tanto ele, quanto sua esposa, não deram muita importância para a muda, e não acretitaram que aquele “toco” fosse um dia ser um bonsai. No Horto Florestal Conquista há bonsai centenários que passaram de geração em geração, e uma mudinha de um centímetro de espessura não faz muito a cabeça de ninguém. Contudo nós que começamos na arte queremos transformar tudo em bonsai, pelo prazer de dizer: _” Eu a conduzi, a desenvolvi.”
E nesse embalo, peguei o patinho feio por apenas R$ 2,00, comprei um vaso de R$ 8,00, fiz um substrato bem forte e eis que um ano depois ela dobrou de tamanho. A brotação dela é tão intensa que começa da base do tronco até o ápice. Está repleta de brotação lateral, e para minha sorte todas intercaladas já de acordo com a estética bonsai.
Quando a comprei, acreditei no que ela poderia se transformar, e hoje vejo que essa possibilidade já começa a se esboçar. Por ser ainda muito nova ela não apresenta conicidade, isso vou ter que trabalhar ao longo do tempo, mas mesmo assim estou super feliz com ela e como esta se mostra forte e vigorosa.
Pretendo mexer nela assim que as flores sumirem, pois só nessa manhã, abriram quatro flores, e ainda tem mais um monte por vir.
Essa planta nos trouxe uma reflexão bem oportuna, nada está 100% perdido, ou sem chance de se realizar. Tudo pode acontecer, basta acreditar!! Também existe beleza na simplicidade!!
O universo bonsai é sábio e uma bela terapia!!
Seguem as fotos:


Em primeiro plano a flor prestes a abrir seguida de suas delicadas folhas
A mesma flor em uma vista mais abrangente
Uma de suas flores abertas em um vermelho vivo como que surgida de uma explosão

Ramo com quatro flores como se fossem pompons, daí comumente chamada de esponjinha


Em outro ângulo, o toque dessas flores é tão suave que o algodão e a seda perto delas se trona áspero



Vista frontal da planta. Ainda há muito o que se trabalhar, uma boa poda as aguarda




















































27 de abril de 2010

Duas novas aquisições

Já se encontra disponível no blog atualização desse ácer tridente, clique aqui.

Depois de muito tempo afastado, estou de volta super feliz com minhas novas aquisições: um Ácer Tridente (folha de três pontas, tridente) e um Ácer Palmatum (folha de cinco pontas). Assim como os pinheiros negros estão para as perenes coníferas em uma coleção de bonsai, os áceres estão para as árvores de características caducas.
Mas o que são árvores perenes e caducas?!

Árvores perenes são árvores que não mudam sua aparência no decorrer das estações, elas se mantém verdes durante todo o ano, podendo florecer, como as azaléas, ou não como os shimpakus. O grande grupo que representa essa característica são as coníferas, que vulgarmente dizemos serem todos os tipos de pinheiros que vemos. São exemplos de coníferas as araucárias, os pinhos, as tuias, os juníperos et seq. Mas também são perenes as diversas espécies de fícus, as serissas, os buxinhos, conhecidos também como sempre verdes.

Já as árvores caducas são árvores que mudam sua aparência no decorrer das estações, assumindo formas variadas no decorrer do ano. Certamente você já viu em inúmeros filmes americanos árvores em tons alaranjados, avermelhados ou sem folha alguma, um exemplo imortalizado pelo cinema é Outono em Nova York, em que a paisagem assume um tom quase de sépia. Essa é a característica mais marcante das árvores caducas sendo bem mais recorrentes em zonas temperadas, onde as estações são muito mais definidas harmonizando o ciclo destas árvores. Basicamente o ciclo delas se apresenta da seguinte forma:

Primavera: Nessa estação a planta quebra sua dormência invernal e rebrota intensamente, é um momento de forte crescimento, suas folhas geralmente possuem cores vibrantes do rosado ao verde claro. Nos desenhos Disney é quando os animais acordam, as flores se abrem e a vida volta através das cores e do namoro entre os animais.
Verão: As folhas já assumiram o forte verde que as acompanharão até o outono, tudo é verde em variados tons. Ainda é época de crescimento e a vida na floresta segue a pleno vapor. Em via de regra a primavera e o verão são as melhores épocas para manutenção dos bonsai com podas, adubação e transplantes devido ao forte crescimento decorrente da estação, só devemos nos atentar quanto à aramação justamente pelo rápido crescimento da planta e conseqüente perigo quanto ao enforcamento da mesma com os arames.
Outono: Para as árvores caducas, não há momento mais bonito, elas mudam as cores de suas folhas, os áceres, do verde passeiam pelo laranja, amarelo e até mesmo pelo vermelho intenso. Os bosques, praças, avenidas e florestas participam de um espectro de cor fantástico, e dão todo aquele aconchego e romantismo da estação. Nesse período a planta começa a se preparar para o estágio de dormência para enfrentar o rigoroso inverno, e essa mudança na coloração das folhas nada mais é que o efeito da desaceleração do crescimento da planta, o fluxo de seiva diminui e as folhas por conseqüência morrem.
Inverno: É momento de repouso. Com a neve tudo adquire uma aparência mórbida e de desolação. As aves migram para o calor do sul e os ursos hibernam em suas tocas. E assim as árvores caducas deixam mostram a silhueta, os frondosos troncos e os galhos secos. Na arte bonsai, é um momento ideal para estudar a estrutura da planta e ver onde precisa ser podado no início da primavera, o que já pode ser conduzido, além de apreciar aquela pequena árvore sombria com cara de filme de terror, sem nenhuma folha.

Bom, depois de uma breve explicação sobre as diferenças entre perenes e caducas, vamos nos ater aos meus novos bonsai!!!

O ácer tridente era uma planta do horto do seu Namizo e tinha incríveis 1 metro e meio, aos quais reduzi para 37cm. Quando a vi me apaixonei, ela já está começando a ficar alaranjada e seu nebari possui duas raízes mais expostas que parecem duas patas de cavalo quando impinam, além de a meu ver, possuir potencial para o estilo chokkan(ereto formal, crescimento vertical reto) e boa brotação lateral. Como intervi fortemente na planta para envase, tirando 50% de suas raízes e reduzindo seu tamanho a 1/3 do que era, preferi deixá-la repousar, mas sei que ainda tenho muito trabalho a fazer, futuras brotações a conduzir, inclusive providenciar um vaso menor e melhor para ela. Por enquanto só estou tracionando de leve alguns de seus galhos. Seguem as fotos.


O ácer palmatum, comprei ontem em um horto aqui da cidade, que cultiva um certo desleixo com os últimos bonsai que ainda possuem para vender. Este palmatum é uma planta cara e difícil de encontrar com potencial legal para bonsai. Por isso quando vi, na hora comprei. Ele está um pouco debilitado, além de estar com sua raiz amarrada ao vaso que está quebrado, suas folhas estão um pouco enfraquecidas e as raízes já saem pelo furo de drenagem do vaso. Mas ele tem um potencial muito legal. Além de antes do inverno ficar com sua s folhas em um vermelho intenso como o de uma maça. De cara fiz uma poda em um galho grosso que estava crescendo em um lugar desfavorável, e mais abaixo, bem na frente da árvore fiz um uro que ficou bem legal, e daqui um tempo quero unir esses dois uros em um só, e quiçá atravessar a árvore. Seguem as fotos. Acer Palmatum em folhagem vermelha intensa























Detalha para o Uro na parte frontal, e mais a cima o corte bem rente do galho indesejado.

Seta azul mostra o uro que fiz, devido a uma marca que a planta já tinha no local;
Seta vermelha mostra a poda do galho indesejável que ali existia;
Os dois riscos amarelos simulam o efeito que pretendo chegar quando unir o uro a marca da poda do galho;
A linha preta acima da seta azul mostra o galho que pretendo tirar para favorecer o galho mais baixo que cresce na lateral.
A linha preta do lado da seta vermelha mostra outro galho que pretendo retirar para favorecer a brotação circulada pelo retângulo amarelo.
Após iniciar o trabalho da parte baixa da planta, pretendo pensar no que fazer na parte de cima, circulada de azul. Ali tenho que trabalhar a conicidade da planta, e para isso pretendo reduzir seu tamanho ao máximo e trabalhar um novo ápice e torcer para que haja brotação lateral, para não ficar um tronco liso.

31 de outubro de 2009

Mame Bonsai em Bunjin (Literati)

Esse é um bonsai mame, essa classificação se dá, pois eles são pequenos bonsai com até 15 cm de altura da base do vaso à copa. Existem outras classificações com relação a tamanho. Basicamente temos três grupos: desde os pequenos até 30 cm, os médios com até 60 cm e os grandes de no máximo 120 cm*. Mas o assunto desse post é esse exemplar de junípero shimpaku com seus tenros dez anos. Pertencente à família das coníferas pode tranquilamente passar dos 300 anos. Conífera é a família de árvores que mais vive, na Suécia existe uma árvore ainda viva da espécie Picea abis que se estima em mais de 9.500 anos.
Essa espécie é perene, ou seja, suas agulhas – folhas – são verdes o ano inteiro, e necessitam de pelo menos 6 horas diárias de sol para se manterem saudáveis, assim como seu substrato – solo – precisa estar sempre úmido para não haver perda hídrica e debilitar suas raízes, mas vale lembrar que úmido não é encharcado, pois o excesso de água também prejudica e apodrece as raízes. O segredo é ter equilíbrio, outra virtude que a milenar arte do bonsai proporciona, assim como a vital paciência.

A estilização desse bonsai me causou grande dúvida e muita reflexão desde que o adquiri há pouco mais de um ano. Ele possui logo a cima do seu nebari – final da raiz e início do tronco – um belíssimo “uro”, um furinho deixado pela cicatrização de uma poda drástica de galho rente ao tronco. Na natureza isso acontece geralmente após alguma intempérie como um raio que atinge o galho da árvore o partindo, o restante que fica, caso não rebrote, acaba apodrecendo no decorrer dos anos até cair deixando um buraco no tronco, o que na floresta por acaso, acaba servindo de moradia a pequenos animais, no bonsai isso é valorizado, pois, como na natureza esse processo é bem lento, confere mais idade à planta e mostra sua capacidade de sobrevivência ao longo do tempo.
Voltando da brevíssima explicação sobre “uro”, o que me deixava na dúvida era decidir a frente da planta, afinal, eu quero mostrar esse uro interessante, segundo, pois ele tem um movimento de tronco muito apropriado para o estilo moyogi (tronco sinuoso, em forma de “s”) já com um dos galhos prontos para a tração e futuro desenvolvimento, e, com alguma educação, também no estilo shakkan (tronco reto inclinado). E por último vinha o medo de mexer com a planta, correr o risco de fazer algo errado e mais medos típicos dos iniciantes na arte. Contudo, para que ele atingisse o estilo moyogi de forma minimamente pronta, eu levaria muitos anos para conseguir isso. É fato que a arte bonsai requer paciência, e por isso levei mais de um ano para resolver que rumo seguir para não tomar nenhuma decisão precipitada, entretanto é bom que exerçamos o estudo das possibilidades que cada planta tem. E após muito pensar e visitar inúmeras galerias de fotos me inspirei em prepará-lo no estilo literati (estilo em que o tronco é limpo com a copa reunida em apenas um lugar, na ilustração a seguir poderemos entender melhor). Levarei alguns anos para que ele fique mais compacto e fiel ao estilo, mas o resultado final será muito bom, além de mais rápido, quando digo rápido, pode-se colocar aí uns cinco anos pelo menos. Ele será o primeiro literati de minha coleção, pois eu já tenho um shimpaku em moyogi de 24 anos com raiz sobre a rocha muito bonito também!


Essa é uma projeção do que pretendo que ele se torne após a estilização. No desenho estudei o tronco e tirei a parte verde do ápice, nos galhos que ficaram secos pretendo fazer os “jin”, que é justamente um galho morto, muito comum em coníferas devido à morte natural do galho ou ação do tempo de forma acidental, como um raio que o atinge. Dessa forma ele desenvolverá sua brotação na parte de baixo preenchendo todos os galhos inferiores dando um visual de uma árvore bem velha e resistente à ação do tempo, e ainda fustigada pelo vento, com toda a brotação crescendo somente para um lado, incorporando dois estilos, fuckinagashi e literati.
Pretendo fazer todas essas intervenções junto com seu replantio, pois é bom que ao passo em que diminuamos a massa arbórea, diminuamos também, a massa radicular para que fiquem na mesma proporção, raízes e folhas. Sobre o vaso, creio que para o conjunto ficar mais harmônico, quero trocar por um de cor mais escura, um tom de marrom com caramelo talvez, e de no máximo 4 cm de altura. A opção pela mudança de cor do vaso se dá, pois a me ver, (lembrando que é uma opinião minha sem estudo aprofundado) o tom azul ou demais cores que fujam às nuances do marrom, sejam mais legais e proporcionem maior harmonia, quando a planta contida nele seja espécie de floração como as caliandras e azáleas, ou caducas em que suas folhas mudam de cor no outono e caem no inverno como os aceres e ulmus dando um aspecto muito bonito no contraste da planta com o vaso. Quando se trata de espécies perenes, o marrom, para mim, é o mais usual.
Assim que começar a mexer nela posto o passo-a-passo da intervenção.
Espero que tenham gostado!
Até o próximo!


* Para mais entendimento sobre classificação quanto ao tamanho visite o site http://sergivaldo.projetobonsai.com/