15 de maio de 2011

Aprendizado...

Já se encontra disponível no blog novo post com atualizalção da planta. Clique aqui.


Amigos, agora venho compartilhar com vocês um aprendizado que tive com uma duranta.

          Eu havia desfolhado para aramar toda a planta, mas se experientes quebram os galhos na hora do arame, imaginem um iniciante. E o maior medo de quem tá começando aconteceu comigo: na hora que enverguei o galho ele se partiu na minha mão, porém o galho não se separou por completo, apenas o cerne tinha se rompido, a casca ainda se manteve intacta em um dos lados, sabendo que é na casca que a alimentação da planta acontece imediatamente, voltei o galho pro lugar e encapei a área quebrada. Para minha alegria a parte posterior à quebra nada sentiu e continuou o crescimento como se nada tivesse acontecido.

          Se são com os erros que se aprende, após essa esperiência com a duranta resolvi fazer algo super arriscado com esse buxinho.
          A frente que desejo para essa planta é a que possui o grande uro, quero que ela nos remeta às florestas sombrias dos desenhos animados, em que as árvores adquiriam vida para amedrontar os personagens que passavam por perto. Contudo, justamente essa frente possui um galho forte e importante que se direciona pra frente, ao invés de ir para o lado. Eu precisava que ele estivesse ali, mas indo para a esquerda, como a madeira do buxinho, se torna bem dura quando velha, resolvi partí-lo com muito cuidado para manter a casca intacta assim como na duranta, e redirecionar seu crescimento. E assim foi feito!!
Vejam as fotos!!
Percebam que só após a ruptura consegui direcionar o galho para o lado, esse processo foi feito antes da brotação. Na foto a planta já apresenta brotação nova amadurecendo
Percebam que ele já é um ramo segundário de um galho que era principal antes da poda. A cicatriz  que  vai ficar, será  desbastada e fechada. 
Após total amadurecimento das novas brotações, farei um aramamento de refinação nos ramos e encurtarei os dois  primeiros galhos. Houve bastante brotação no início do galho, além da presença de algumas gemas que começam a inchar.
           Como sempre, fiquem à vontade para comentar!!
Forte abraço,

Leonardo Couto

Ferramenta para madeira morta

Olá amigos!!

          Hoje não trago nenhum bonsai, mas uma ferramenta muito útil para nós amantes que começamos a nos aprofundar um pouco mais nessa arte.
          Conforme a gente vai se informando, conforme plantas mais brutas vão aparecendo, e conforme a vontade em ter na coleção algo mais expressivo, com sinais evidentes da longa idade vai surgindo, precisamos buscar novos horizontes e novas formas de trabalhas nossas plantas.
E o sinal claro de envelhecimento que falo aqui é a madeira morta.
          Conhecida como jin ou shari, esse trabalho de madeira morta através de galhos secos, fendas, uros ou lapidações artísticas, consiste numa técnica de trabalho no cerne da árvore, que é a parte interna do tronco - basicamente, o caule de uma árvore se divide em duas camadas mais vísiveis - a veia viva, ou casca do tronco que é por onde a planta se alimenta através dos fluxos de seiva no floema e xilema e a madeira propriamente dita, o cerne. (Lembrando que um tronco tem inúmeras camadas, mas as mais vísiveis e de uso prático pra nós são basicamente estas)
          Na natureza esse trabalho da madeira morta ou exposta através de jins, sharis e uros levam de décadas a centenas de anos para se formarem, por isso são tão valorizados no bonsai como característica de longevidade da planta.
          No bonsai utilizamos formões, estiletes, faquinhas e o que estiver à mão que seja afiado para fazer esse trabalho, já usei um bisturi como mostra o post gabiroba.
          Porém cada planta uma necessidade, e a bougainvillea já postado aqui, precisa de uma ferramenta mais eficaz para o trabalho de ocar o grande tronco, e para isso adquiri uma microretífica para fazer o trabalho.
          Confesso que ainda vou fazer algumas tentativas em tábuas de madeira para aprender a usar a máquina, mas não me pareceu difícil o manuseio em primeiro contato.
Seguem aqui as fotos da ferramenta, não é nenhuma Brastemp, mas atende às minhas necessidades.
  
          Comprei a microretifica + kit com 70 ferramentas por R$ 128,00. As peças vão desde de escarificação de madeira até corte de alumínio, polimento, lixamento, gravação em vidro entre outras funções, achei bem completa e acessível.
          Antes do fim do inverno pretendo fazer o trabalho na bougainvillea, e todo processo será postado aqui nesse meu diário de bonsai.
Forte abraço,


Leonardo Couto

10 de maio de 2011

Última aquisição: Shimpaku para shohin

          Finalmente perdi o medo e comprei um bonsai pela internet, já havia comprado pela Ideal Bonsai algumas literaturas e gostei de sua estrutura, dessa vez arrisquei no bonsai, e não me arrependi. Recebo sempre suas newsletter e havia algumas promoções.
          Mas, como seguro morreu de velhice, resolvi pegar algo bem baratinho de início. Esse shimpaku saiu por R$ 39,90 (19,90 a planta + 20,00 de frete). Foi quase uma semana na espera, pois, a loja física fica em outro estado, fiquei bem preocupado com a situação em que a planta se encontraria quando chegasse a mim, mas confesso que me surpreendi, muito bem embalada, o musgo asfagno  que cobria o substrato ainda encharcado, a planta só estava um pouco solta do torrão, meio bamba. 
          Por ser uma planta bem novinha, (2,5 anos) e com porte pequeno, quero usá-la em um shohin. Vi em inúmeros sites plantas assim serem transformadas em verdadeiras jóias. Fiz alguns desenhos - bem amadores diga-se de passagem - para ilustrar algumas possibilidades para a planta.
Eles se encontram dispostos por ordem de preferência.

1º Lugar
Sendo estilizada assim, a massa verde será um pouco mais compacta e a veia viva receberá uma curvatura um pouco pra baixo para não ficar tão reta com a cauda de uma estrela cadente de desenho. A madeira morta, me mostra bastante elegância
2º Lugar
Assim me pareceu algo bem selvagem, gosto muito assim também
3º Lugar

Agrada-me muito também, devido a referência aos abetos, com galhos bem pronunciados para baixo
Recebi a planta assim, e registrei para postar por aqui!!
Seguem as fotos!!

 
 
 
 
 
 
   
Como sempre, estejam livres para comentar!!
Forte Abraço,

Leonardo Couto

2 de maio de 2011

Zimbro em Fukinagashi

          Na postagem de hoje temos esse juníperus sinenses, zimbro chinês, shimpku ou kaisuca!! São tantos os nomes, que é bom citar os mais comuns para não haver confusão!!
Essa planta começou com um problema muito comum na espécie: amarelamento das agulhas.
Isso é diagnosticado facilmente, as agulhas começam a ficar com aspecto marrom e vão se esfarelando.
Existem duas formas de analisarmos se a planta ainda está viva: vendo se a ponta de suas agulhas apresenta brotação - se está com verde vivo -  assim como na axila interior dos ramos e galhos se existe alguma brotação. Para minha felicidade, a árvore apresenta os dois tipos de brotação. Outra forma, é algo extremamente minucioso, a análise das raízes.
          Muitos irão me criticar, pois, se a planta apresenta algum problema de saúde, não devemos mexer no sistema radicular. Mas, muitas das vezes o problema está no sustrato da planta, por isso é preciso esse processo cirúrgico. Assim que percebi que a planta apresentava brotação, resolvi fazer o transplante.
Nesse ponto, faço uma ressalva: é importante analisar bem as agulhas, quando a planta está viva, as agulhas apresentam um verde opaco, amarelado, apenas viçoso na ponta do broto, já quando a planta morreu de fato, ela simplesmente seca, passando do verde ao marrom em questão de dias, sei disso por experiência própria.
          Chegando às raízes, como já imaginava, encontrei um substrato extremamente argiloso e compactado, o que é um grande problema para as raízes das coníferas, que preferem solo arenoso e com boa drenagem. Contudo para minha surpresa, a planta apresentava uma massa radicular em excelente estado, uma ótima quantidade de raiz fina.

Como perceber se a raiz realmente está saudável??
          Em outra experiência com juníperus, quando meu mestre Namizo e eu, depois de analisar as agulhas e perceber que a planta estava viva, fomos verificar às raízes e vimos que grande parte se apresentava escura, quebradiça, apodrecida e sem capilares, e assim, com mínimo esforço, elas se desfacelavam nas mãos, arrebentavam igualzinho fio de cabelo. Quando a raiz é saudável, ela é viçosa, apresenta grande número de capilares e tem cor suave, além de apresentar maior resistência quando arrebentada.

          Infelizmente, não tinha em mãos um vaso apropriado para a espécie, que pede vasos escuros, o único que seria compatível com a árvore era esse claro escurecido pelo tempo!!
          Para o estilo, segui o caminho que a planta me conduziu e optei pelo fukinagashi. Cada galho e ramo foi aramado e direcionado com a intenção de passar o sentimento de fustigação pelo vento, criei alguns jins intercalados com os galhos vivos e um ten-jin - todos ainda serão mais trabalhados e refinados - por hora, apliquei a calda sulfocálcica na madeira morta e começei um shari que pretendo seguir até o ten-jin.
          A pedra que foi posicionada abaixo do primeiro galho com a função de segurar as raízes no solo, como se fosse uma rede, tendo em vista a nova posição da planta, assim como suas raízes muito finas correrem o risco de ser danificadas se fossem presas com arames, assim sendo, encobri as raízes e posicionei de leve a pedra, recobrindo com mais uma camada de sustrato.
          O sustrato é uma mistura de areia média, predriscos, caco cerâmico, areia pra gato, casca de pinus e terra vegetal, todos com granulometria parecida.
          O que mais me deixou feliz nessa planta foi a sensação que consegui fazer ela passar, para mim, ela realmente passa uma história de sobrevivência aos fustigantes ventos de uma ravina.

Vamos às fotos!!!
Detalhe da mariposa que pousou na hora da foto e posou também.
Acho que ficou mesmo uma árvore, já vieram até passar a noite...
Close-up na mariposa e na ponta das agulhas em verde claro de brotação nova

Então é isso, comentem!!
Forte abraço,

Leonardo Couto

26 de abril de 2011

Possibilidades de um Buxinho Yamadori

Vamos para o post que promete ser um dos mais longos até o momento!!

Origem...

O buxinho foi coletado, aliás, "achado" em um canteiro público na RJ 116 em péssimo estado, tanto a planta quanto o canteiro. Por causa de um acidente, o canteiro foi destruido e ficou apenas o torrão com a planta. Como bom amante da natureza que sou, não poderia deixar aquela planta secar até a morte, peguei pra mim!!!

Fim do Inverno de 2009


Assim que a peguei, percebi que ela já estava daquele jeito a alguns dias, imediatamente comprei o primeiro vaso que coubesse o desmantelado torrão em um horto próximo, apenas para transportá-lo. Chegando em casa, preparei um substrato e um vaso de cimento para comportá-lo sem danificar nenhuma raiz. Não fiz nada além de comecar uma leve educação dos galhos, tracionando e afastando os dois principais.

Recuperada...

Por ser uma planta de beira de asfalto, seu tronco e folhas estavam recobertos por fuligem, era uma planta fraca e sem viço... Passado alguns meses começei a adubá-la, ela respondeu bem e começou a brotar substituindo as folhas fracas e deficientes por folhas viçosas e perfeitas, a fuligem foi sendo retirada com bastante borrifação e escovinha de dentes gradativamente... e a planta foi se recuperando...
Após adubação frequente, limpeza leve de alguns galhinhos desnecessários e leve condução de outros a planta hoje se apresenta assim:






Problemas... 

Conforme visto nas fotos acima, a planta apresenta um caule muito alto e sem conicidade nehuma, seu tronco não tem expressão, o primeiro galho é extremamente forte, reto e sem conicidade, brigando com o resto da planta. O segundo galho cresce para frente, levemente voltado para a direita, apresentando também grande força e os mesmos problemas do 1º. O ápice é extremamente infantil e sem personalidade... Outra questão bastante relevante é o lentíssimo crescimento da espécie, que torna seu desenvolvimento algo bem a longo prazo. Tantos problemas me fizeram pensar em inúmeras possibilidades para a planta, vejamos abaixo:

Projeções para o futuro...


1) Um caminho a seguir é amadurecer o atual estado da planta, definindo bem os patamares verdes, eliminar o galho forte que cresce pra frente e deixar desenvolver um pequeno ramo que nasce logo atrás do galho a ser removido. Porém, até o ramo se desenvolver até substituir o espaço deixado pelo galho que cresce pra frente levaria muito, muito tempo... uma alternativa seria usar o galho forte que cresce pra frente, porém ficaria algo forçado e anti natural...
No primeiro galho forte que cresce para a esquerda, seria necessário um enxerto a esquerda como futuro ramo, o que também demandaria um tempo razoável... seria possivel também puxar o ramo dele que cresce pra traz um pouco para a direita, daria uma leve curva e seria um patamar verde como os vistos em árvores bem antigas, onde cobre-se a lateral e a trazeira com um mesmo galho, quase uma saia verde.
No mais seria modelagem e educação dos galhos, sem muita intervenção e bastante paciência...
O meu medo nesse esquema é o visual final da árvore se assemelhar demais a uma topiaria, estilo este onde o buxinho é muito usado, e fugir totalmente do estilo natural que se busca com o bonsai, além de ficar demasiadamente alto, e nada compacto.


2) Este é um estilo que me agrada bastante, no desenho não parece, mas vendo a planta e analisando cada detalhe, essa segunda projeção é muito atraente. Vários problemas estéticos seriam resolvidos, a árvore ficaria com um aspecto bem selvagem e natural, do jeito que eu gosto.
A parte mais alta da planta se transformaria em um grande ten-jin, o galho forte que cresce pra frente seria como um espelho, ainda vivo, do tronco que secou, seguindo exatamente o mesmo desenho, transparecendo bastante idade à planta que conseguiu substituir o topo da árvore por um novo. O galho forte que cresce para a esquerda ficaria responsável pelo movimento da árvore em seu estilo fukinagashi...
A conicidade ainda seria um problema, porém suavizado pela dramaticidade no novo estilo. Seu ângulo de plantio seria levemente alterado para a esquerda, harmonizando melhor com o estilo.


3) Pensei bastante no que fazer com essa planta, inclusive cheguei até no estilo cascata... Parece algo meio absurto, mas também seria algo selvagem e inusitado, e sem parecer muito artificial.
Quanto ao plantio, tudo vai depender do estado das raízes, nessa projeção, pensei em um vaso orgânico, em formato de concha ou gota, ou talvez em um fundo quadrado e clássico

Vejamos o que o tempo me reserva!!
Mas a segunda projeção muito me agrada...

Desculpem os desenhos extremamente amadores, mas para meu estudo da planta foi bastante útil.
Realmente quando esboçamos a planta e as possibilidades, o aprendizado e entendimento é exponencializado...

Fiquem à vontade para comentar!!
Forte abraço,

Leonardo Couto

21 de abril de 2011

Atualização Bougainvillea

Mais uma famosa!! Essa também vai aparecer na TV em um papo gostoso sobre bonsai com o jornalista Gustavo Werneck no programa 'Entre Vistas' que vai ao ar na próxima segunda-feira, 25 na TV ZOOM às 21h!! Não percam!!
Vamos à árvore!
O transplante dessa me espantou um pouco devido à pouca quantidade de raízes e a péssima qualidade do substrato. Ela estava plantada apenas em barro vermelho, salvo pela camada de húmus que fui acrescentando junto com adubo ao longo de pouco mais de um ano, o que deu certa força á planta.
Como ponto positivo, descobri raízes finas, mesmo que só no lado direito, o que permitiu um plantio bem radial e horizontal. Graças a esse aspecto, logo, logo a colocarei em um vaso bem raso com uns 3cm de altura e redondo, vou reposicioná-la no pote, inclinando-a e a colocando mais para a esquerda, ressaltando a elegância dessa primavera
O primeiro galho à esquerda será ainda mais rebaixado, harmonizando com o tronco.
O substrato de agora é uma mistura de cascalho cerâmico, casca de pinus, areia de gato, terra vegetal e matéria orgânica, todos em partes parecidas.
Vamos às fotos do presente e de com estava antes!!

Planta já com layout fechado em vaso Shugo Izumi.  Agora começa o trabalho de ramificação fina
Planta após retirada de excesso de galhos plantada em pote com barro vermelho
Como não tirei foto dela quando comprei, busquei na internet algo que se assemelhasse ao emaranhado de galhos que um dia foi

Por enquanto é isso, dar tempo ao tempo, abubação frequente e controlada e bastante paciência.

Forte abraço,

Leonardo Couto


15 de abril de 2011

Atualização Ácer Palmatum

Olá mais uma vez!!
Hoje trago o restante do post daquele Ácer.
Sei que ele ainda levará uns bons anos até ser um belo bonsai, mas aos poucos ele vai progredindo...
Depois da poda drástica, transplante e crescimento livre, dei uma leve poda de contenção nele.
Os próximos passos serão reduzir o espaço entre nós, diminuir o tamanho das folhas e aumentar sua densidade, conicidade dos ramos e divisão das copas.
Além disso mais uma poda drástica será feita, o ramo grosso e sem conicidade que cresce para a direita será removido, mantendo apenas o que cresce logo abaixo...
Por hora é isso, seguem as fotos!!!
Sugiram, critiquem, comentem...

Forte Abraço,

Leonardo Couto